relacionamento ameacados

Relacionamentos amorosos estão ameaçados pela quarentena?

Quando a quarentena na China chegou ao fim no final de março, os chineses deram início ao seu novo normal. Foi o primeiro país do mundo a passar por isso, pois foi lá que tudo começou. Nesse novo cenário, a imprensa local logo identificou uma procura muito acima do comum por divórcios – em alguns distritos não havia nem horário disponível para tratar do assunto nos cartórios. Essa tendência tem ficando cada vez mais clara em diversos países pelo mundo, inclusive no Brasil. Por aqui, várias separações de casais famosos anunciadas durante este período de quarentena reforçaram essa imagem.

Mas, afinal, o confinamento, que obriga casais a uma convivência muito mais intensa do que eles estavam acostumados anteriormente, é mesmo um risco? Para a psicóloga Regina Tavares, este cenário atual não cria problemas ou diferenças que já não existiam no casal, apenas acelera situações que, mais cedo ou mais tarde, se manifestariam da mesma forma. “A grande maioria das pessoas tinha menos tempo para se relacionar de forma profunda e, por isso, boa parte das situações negativas era deixada de lado assim que saiam de casa ou encontravam outras pessoas. Agora, sem essa ‘válvula de escape’, ambos têm mais tempo para avaliar seus pontos de divergência ou semelhanças. Essa quarentena é uma oportunidade única para conhecer muito melhor o seu parceiro e se conhecer também”, explica. De acordo com Regina, essa relação mais próxima e intensa não é necessariamente um risco para a vida a dois. “Existem muitos casais que estão começando a reconstruir o seu relacionamento a partir dessa quarentena. Eles estão se descobrindo novamente”.

“As pessoas têm medo de se contaminar e ficar doentes, de perder os seus parceiros por causa da covid-19, de ficar sem emprego e faltar dinheiro para pagar as contas. O medo é um agente externo que hoje atua diretamente em boa parte dos relacionamentos”, explica. “Com isso, muitas pessoas casadas estão se esforçando, mais do que antes, no sentido de melhorar o seu relacionamento porque estão dando mais valor ao que já possuem”.

No caso dos casais que estão se separando ou planejando fazer isso tão logo a quarentena acabe, Regina reforça que a responsabilidade não da proximidade imposta pelo isolamento social, mas sim das diferenças e divergências. “Essas questões foram amplificadas neste momento, mas já existiam. Já os casais que estão se recuperando estão sabendo lidar com estes desafios de outra forma”, acrescenta. Segundo ela, o autoperdão e o perdão ao seu companheiro são pontos fundamentais para reconstruir um relacionamento amoroso.

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