autocuidado

A quarentena despertou você para o autocuidado?

“A mulher nunca chega ao ponto de se aceitar como é naturalmente, porque as pessoas não têm um naturalmente”, afirma Alethéa Vollmer, psicóloga especialista em inteligência emocional. Ela explica que as mulheres, em especial, estão baseadas em um conceito de identidade que ancora o psicológico a partir do reconhecimento pelo mundo externo. Um exemplo disso é moda da transição capilar, uma prática libertadora proporcionada pelo confinamento. Foi o seu caso, sugar baby?
Nos últimos seis meses, as redes sociais de muitas famosas foram tomadas por imagens de cabelos se transformando por falta de procedimentos de beleza, revelando a possibilidade de autocuidado a ponto de inspirar o universo feminino a aceitar os cachos e os estilos próprios que cada cabelo passou a ter.
“O Eu verdadeiro, a despeito de colocado na sua essência, sempre precisará do olhar do outro para dizer que ele pode existir. É uma questão de constituição. Eu me constituo a partir deste discurso e as pessoas me olham e veem desta forma. Não adianta dizer que meu cabelo é lindo e o outro dizer que não. Acabo criando uma dissociação em mim e o discurso do outro tem um peso tão grande que, ou eu me escondo, ou eu começo a brigar com o outro pela aceitação”, explica a psicóloga.
E quando as pessoas conseguem se olhar no espelho e se ver da forma como estão, a gostar deste “novo” cabelo, elas passam a se aprovar para si mesmas e para o mundo. “Elas relaxam um pouco mais. Conseguem distinguir que o outro tem um cabelo diferente, mas não melhor ou pior, aprendem a lidar com diversidade. Até parece bobagem, mas a ‘simples’ aceitação por um cabelo é capaz de interferir em escolhas de vida importantes, como profissões, parcerias sexuais e a forma como existir no mundo”, analisa Alethéa.
A psicóloga lembra que, durante muito tempo o cabelo crespo não tinha reconhecimento nenhum, não era aceito. Então, a única forma que se podia era não ter este cabelo. E aí vem um movimento, sobretudo político, que diz: “mulheres, sejam protagonistas e se aceitem!”. Neste contexto, o termo de transição capilar é muito feliz pelo seu significado, porque se trata da mudança que acontece aos poucos. “Vou começar a me constituir de outra forma e a sociedade vai me autorizando a isso. Por exemplo, antigamente não existia um produto específico para cabelo crespo. Hoje, são diversas as opções apresentadas pela indústria, porque ela abraçou este discurso e está dizendo para essa mulher que ela pode ter esse cabelo. Então, existe o reconhecimento”.
Esse reconhecimento pelo mundo causa completa mudança, porque à medida que a mulher se aceita, a sua autoestima melhora, ela passa a se sentir prestigiada pelo outro. O ser humano está constantemente em busca deste sentimento!

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